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Segurança dentro do carro: hábitos comuns que podem causar ferimentos graves em uma colisão

Segurança dentro do carro: hábitos comuns que podem causar ferimentos graves em uma colisão

Guia prático de prevenção para motoristas e passageiros

Grande parte das campanhas de trânsito ensina a dirigir melhor.


Mas poucos falam sobre como se comportar dentro do veículo — e muitos ferimentos graves acontecem justamente por hábitos aparentemente inofensivos.

Em um impacto a apenas 50 km/h, o corpo pode sofrer desaceleração equivalente a uma queda de um prédio de vários andares.
Nessas condições, objetos pequenos, postura incorreta ou acessórios pessoais tornam-se fatores decisivos entre sair ileso ou sofrer lesões severas.

A seguir, situações reais do dia a dia que representam riscos e como evitá-los.

 

1) Prendedores de cabelo e objetos atrás da cabeça

É comum prender o cabelo em coque usando presilhas rígidas, piranhas ou grampos grandes — principalmente em viagens.

O que acontece numa colisão

Durante uma batida traseira ou frontal, a cabeça é projetada para trás contra o encosto.
Se houver um objeto rígido entre o crânio e o banco:

  • a força concentra num único ponto

  • pode ocorrer perfuração do couro cabeludo

  • há risco de fratura craniana ou lesão cervical

Exemplo

Uma passageira em viagem urbana sofre colisão traseira leve.
O carro quase não deforma, porém ela apresenta corte profundo na parte posterior da cabeça — causado exclusivamente pela presilha pressionada contra o banco.

Como usar corretamente

  • remover presilhas rígidas

  • usar elástico macio

  • apoiar a cabeça totalmente no encosto

 

2) Cinto de segurança na barriga: risco interno silencioso

Muitas pessoas usam o cinto abdominal por cima da barriga por conforto — principalmente gestantes ou passageiros no banco traseiro.

O perigo real

O cinto não foi feito para segurar órgãos internos. Ele deve apoiar-se nos ossos do quadril, que são estruturas resistentes.

Quando posicionado na barriga, numa freada brusca ou colisão pode ocorrer:

  • compressão da bexiga

  • ruptura intestinal

  • hemorragia interna grave

Lesões desse tipo são chamadas de síndrome do cinto de segurança.

Exemplo

Em acidente urbano de baixa velocidade, o ocupante sai consciente do carro, mas horas depois apresenta dor abdominal intensa — consequência de ruptura interna provocada pelo cinto mal posicionado.

Forma correta

  • faixa inferior sobre o osso do quadril

  • nunca sobre o abdômen

  • faixa diagonal passando pelo meio do ombro

 

3) Pés no painel: uma das posturas mais perigosas

Muito comum entre passageiros relaxados em viagens curtas.

O que ocorre quando o airbag dispara

O airbag abre em cerca de 30 a 50 milissegundos a mais de 250 km/h.
Se as pernas estiverem no painel:

  • o joelho é arremessado contra o rosto

  • ocorre fratura de fêmur ou quadril

  • pode haver deslocamento da bacia

Exemplo

Colisão leve em semáforo.
O carro quase não sofre danos estruturais, mas o passageiro sofre múltiplas fraturas porque o airbag abriu com as pernas apoiadas no painel.

Regra de segurança

Pés sempre no assoalho, mesmo em trajetos curtos.

 

4) Banco muito reclinado reduz a eficácia do cinto

Muitos ocupantes inclinam demais o encosto para conforto.

O corpo “escorrega” por baixo do cinto (efeito submarino), provocando:

  • compressão abdominal

  • impacto da cabeça no interior do veículo

  • falha total da proteção

Posição segura

Encosto levemente inclinado, permitindo que o cinto encoste firme no corpo.

 

5) Objetos soltos dentro do veículo viram projéteis

Celulares, garrafas, mochilas e até chaves podem atingir alta velocidade dentro da cabine.

Em colisões moderadas:

  • uma garrafa pode atingir peso equivalente a dezenas de quilos

  • um celular pode causar traumatismo ocular

Boa prática

Tudo deve estar no porta-objetos, porta-luvas ou porta-malas.

 

6) Mãos fora do volante em manobras de risco

Dirigir com uma mão só ou com o braço para fora da janela é comum em áreas urbanas.

Em colisões laterais ou perda de controle:

  • o braço pode ficar preso entre porta e obstáculo

  • fraturas expostas são frequentes

 

7) Crianças com acessórios volumosos

Casacos grossos ou mochilas entre a criança e o cinto impedem a retenção correta.

Resultado:
o corpo se movimenta mais do que deveria e o cinto perde eficácia.

 

O que realmente salva vidas

A maioria dos acidentes não acontece por imprudência extrema, mas por rotina.


Pequenos hábitos geram consequências grandes porque o corpo humano não foi projetado para desacelerar instantaneamente.

Segurança veicular não depende apenas do carro — depende principalmente da postura do ocupante.

Adotar posição correta, retirar objetos rígidos e utilizar adequadamente o cinto reduz drasticamente a gravidade das lesões, mesmo quando o acidente não pode ser evitado.

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