STJ vai decidir se condomínios podem cobrar honorários advocatícios de moradores inadimplentes
Discussão reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça poderá estabelecer entendimento nacional sobre despesas jurídicas decorrentes da cobrança de taxas condominiais.
Uma discussão jurídica que envolve diretamente a saúde financeira dos condomínios brasileiros ganhou um novo capítulo em outubro de 2026. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu, no último dia 7, a relevância de uma controvérsia sobre a possibilidade de cobrar dos condôminos inadimplentes os honorários advocatícios contratuais pagos pelo condomínio para recuperar dívidas.
A decisão representa um avanço na análise do tema, mas ainda não estabelece uma resposta definitiva. O tribunal deverá julgar o mérito da questão e fixar um entendimento que poderá orientar processos semelhantes em todo o país.
O impacto da inadimplência na gestão dos condomínios
Quando um morador deixa de pagar suas contribuições, as consequências financeiras podem atingir toda a coletividade. Despesas com funcionários, manutenção, serviços essenciais e conservação das instalações permanecem, independentemente do recebimento das cotas.
Em determinadas situações, o condomínio precisa recorrer à Justiça para recuperar valores não pagos. Isso pode exigir a contratação de profissionais jurídicos e gerar despesas adicionais.
A controvérsia está justamente na possibilidade de transferir ao devedor os honorários contratuais relacionados à cobrança judicial, além dos encargos legalmente previstos.
O STJ também deverá examinar possíveis diferenças entre os honorários decorrentes de cobranças judiciais e aqueles relacionados à atuação extrajudicial.
Julgamento poderá trazer maior segurança jurídica
Segundo o STJ, existem entendimentos divergentes em diferentes tribunais brasileiros. A ausência de uniformidade pode gerar dúvidas para síndicos, administradoras, advogados e proprietários.
Com o reconhecimento da relevância, a Segunda Seção determinou a suspensão dos recursos especiais e agravos em recurso especial abrangidos pela controvérsia. O processo seguirá para julgamento de mérito, quando poderá ser estabelecida a orientação jurídica sobre o assunto.
Até que haja uma definição, é importante que os condomínios mantenham procedimentos de cobrança transparentes, observem a legislação e avaliem cuidadosamente os contratos de prestação de serviços jurídicos.
A decisão futura poderá ter reflexos no planejamento financeiro, na recuperação de créditos e na distribuição dos custos decorrentes da inadimplência.
Para o SINDICOND, o acompanhamento de decisões judiciais que afetam a administração condominial é fundamental para manter síndicos e administradoras informados sobre seus direitos e responsabilidades.