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Quase 12% dos Moradores Não Estão Pagando. O Que o Seu Condomínio Está Fazendo Com Esse Buraco no Caixa?

Quase 12% dos Moradores Não Estão Pagando. O Que o Seu Condomínio Está Fazendo Com Esse Buraco no Caixa?

O número chegou sem cerimônia e ficou: 11,95%. Esse foi o índice de inadimplência nos condomínios brasileiros no primeiro semestre de 2025, o mais alto registrado nos últimos anos, segundo levantamento da plataforma uCondo com dados de 7 mil condomínios em todo o Brasil. Para 2026, a projeção não traz alívio — os especialistas projetam que o patamar se mantenha ao redor de 11%, sustentado pelo mesmo conjunto de pressões que já comprimem o orçamento das famílias há dois anos: taxa Selic elevada, endividamento crescente e uma taxa condominial que subiu quase 25% em três anos, chegando à média nacional de R$ 522 por unidade.

O problema da inadimplência condominial não é novo, mas o nível em que ele se encontra hoje transforma um desconforto crônico em risco operacional real. Quando quase um em cada oito condôminos está em atraso, o caixa que deveria cobrir a manutenção do mês passa a cobrir o rombo do mês anterior. Obras que poderiam ter sido planejadas viram emergências. Contratos de limpeza, portaria e manutenção — os que sustentam o funcionamento básico do prédio — começam a depender de um fundo de reserva que foi pensado para outra finalidade. E quando o fundo acaba, resta ao síndico a escolha mais impopular que existe: convocar uma assembleia para aprovar uma taxa extra.

O que poucos síndicosidentificam a tempo é que inadimplência não é apenas um problema financeiro — é um problema de comunicação, de processo e de relacionamento. Dados do Serasa mostram que quase metade da população adulta brasileira encerrou 2025 com algum tipo de dívida em atraso. Isso significa que o condômino que não pagou o boleto do condomínio, na maioria dos casos, também não pagou outros. Ele não é um morador de má-fé — ele é uma família que está escolhendo, todo mês, qual conta vai pagar primeiro. Nesse contexto, o condomínio que chega na frente, que avisa antes do vencimento, que oferece canais de negociação acessíveis e que age nos primeiros sinais de atraso — antes que a dívida vire uma bola de neve impagável — consegue resultados muito melhores do que o que espera a conta chegar na fase de cobrança judicial.

A inadimplência de 11% não vai se resolver sozinha. Ela exige que o síndico abandone a postura de cobrador e assuma a de gestor de relacionamento: entender por que o morador não está pagando é tão importante quanto saber como cobrar. E o condomínio que construir esse processo agora, antes que o índice suba mais, vai proteger o caixa, preservar a convivência e evitar que a inadimplência de alguns vire o problema financeiro de todos.

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