ALERTA EL NIÑO 2026: o perigo está à vista — e a resposta é a nossa prevenção e a nossa união
Matéria de alerta para publicação no site e no informativo do SINDICOND — Sindicato dos Síndicos e Administradores de Condomínios do Estado de São Paulo
O estado de São Paulo entrou em um período que exige atenção máxima de todos os síndicos, administradores e condôminos. O El Niño de 2026 já foi oficialmente confirmado pelos órgãos federais de meteorologia, e as projeções mais recentes indicam que ele pode se tornar um dos mais intensos já registrados. Chuvas acima da média, tempestades violentas e eventos extremos estão e continuarão afetando o nosso estado — e, dentro das nossas comunidades, é o condomínio que está na linha de frente da proteção de milhares de famílias.
Este alerta do SINDICOND tem dois objetivos: mostrar, com dados oficiais, o que o El Niño representa para os condomínios do estado de São Paulo; e lembrar que a tragédia que atingiu a região de Ribeirão Preto em julho de 2026 demonstrou, na prática, que a união entre vizinhos, condomínios e poder público é a ferramenta mais poderosa de resposta e recuperação de que dispomos.
O que é o El Niño 2026 e o que ele traz para o nosso estado
O El Niño é um fenômeno oceânico-atmosférico caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, com efeitos diretos no regime de chuvas e temperaturas em todo o Brasil. A Nota Técnica Conjunta emitida pelos órgãos federais — INPE, INMET, Funceme e CENSIPAM — confirma o El Niño em 2026 e projeta anomalias positivas de chuva justamente no sudeste do estado de São Paulo, centro-sul do Rio de Janeiro e de Minas Gerais [1]. Pesquisadores ouvidos internacionalmente alertam que o fenômeno em formação pode se equiparar aos mais severos já observados desde o século XIX [2].
As consequências já são visíveis. O inverno de 2026 chegou com chuvas e temperaturas acima da média em diversas regiões do país [3], tempestades atingiram o Sul, e um apagão de três dias no interior paulista foi identificado como efeito direto do Super El Niño [4]. Mais preocupante ainda é o dado nacional revelado pela Folha de S. Paulo: 66% dos municípios brasileiros iniciaram o El Niño despreparados para enchentes e 67% abaixo do ideal para deslizamentos de terra [5]. É contra esse cenário que os condomínios precisam se organizar.
No estado de São Paulo, o histórico recente já mostrou o preço da falta de preparação: a Operação SP Sempre Alerta – Chuvas 2025/2026, conduzida pela Defesa Civil do estado, contabilizou 21 mortes até março de 2026, sendo 11 provocadas por deslizamentos de terra [6].
Ribeirão Preto: a tragédia que testou a nossa união — e a união venceu
Na madrugada de 24 de julho de 2026, um temporal histórico, com rajadas de vento de até 122 km/h e microexplosões, atingiu Ribeirão Preto e região: árvores centenárias arrancadas, pórticos derrubados, telhados lançados sobre casas, um homem de 75 anos morto em sua residência, hospitais sem energia operando com geradores e quase 100% da população sem luz no auge da crise [7]. O município decretou situação de emergência, e o balanço da assistência social registrou 1.326 desalojados e 10 desabrigados [7] [8].
O que aconteceu em seguida, porém, é o que o SINDICOND quer colocar em destaque: a resposta coletiva foi extraordinária. A Defesa Civil do Estado e a Defesa Civil Nacional foram mobilizadas e enviaram equipes técnicas, dez caminhões-pipa e ajuda humanitária com cestas básicas, colchões, cobertores e kits de higiene. O governo estadual enviou 3.000 telhas para a reconstrução, somadas às 750 adquiridas pela prefeitura. Mas a resposta mais emocionante veio da própria população: escolas municipais foram transformadas em pontos de arrecadação de doações, como a EMEF Virgílio Salata, que organizou o cadastro e a distribuição de alimentos, roupas, cobertores e telhas para mais de 300 famílias da comunidade Rio Pardo — e seguiu trabalhando até mesmo sem energia elétrica. Voluntários somaram-se às equipes oficiais: 488 pessoas, em 109 viaturas, varreram as ruas para limpar e desobstruir a cidade [7] [8].
Ribeirão Preto ensinou ao estado de São Paulo uma lição que nenhum síndico pode esquecer: o desastre define a necessidade, mas é a organização prévia e a união das pessoas que definem a velocidade da recuperação.
O checklist do síndico diante do El Niño
Diante do cenário oficial, o SINDICOND convoca os síndicos e administradores do estado de São Paulo a adotarem, o quanto antes, as seguintes medidas. A Lei Federal nº 12.608/2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, estabelece expressamente o dever compartilhado de prevenção de desastres — e o síndico é o gestor desse dever dentro do seu condomínio [9].
A primeira frente de trabalho é a vistoria do telhado e das coberturas: telhas, calhas, rufos e condensadores devem ser revisados, objetos soltos removidos para que não se transformem em projéteis com o vento, e as caixas-d’água precisam estar devidamente fixadas.
A segunda frente é a drenagem e as encostas: ralos, sarjetas, caixas de retenção e galerias precisam estar limpos antes da temporada de chuvas; muros de arrimo e taludes devem ser inspecionados; e o síndico deve verificar se há áreas de risco mapeadas pelo Instituto Geológico de SP ou pela prefeitura no entorno do condomínio.
Nas árvores e áreas comuns, recomenda-se a poda preventiva e a remoção de galhadas que ameacem veículos e garagens, além da fixação ou do recolhimento de mobiliário externo, placas e toldos que possam ser arrancados pela ventania.
Os planos de emergência também exigem atualização: o plano de evacuação e o ponto de encontro do condomínio devem estar revisados, o condomínio cadastrado nos alertas oficiais do CEMADEN e da Defesa Civil do Estado de São Paulo, e os contatos da Defesa Civil municipal precisam estar visíveis e acessíveis na portaria.
Quanto às equipes e à comunicação, os funcionários e a portaria devem ser treinados para atuar em tempestades e alagamentos, e os canais de comunicação com os condôminos precisam estar preparados para o envio rápido de avisos e orientações.
Por fim, a documentação: todas as vistorias e ações devem ser registradas em atas, o seguro predial mantido vigente e revisado, e deve ser levantada a relação de condôminos vulneráveis — idosos e pessoas com deficiência — para que recebam apoio prioritário em caso de emergência.
A união também é prevenção
Tão importante quanto o checklist técnico é o que Ribeirão Preto demonstrou: nenhum condomínio se recupera sozinho. Por isso, o SINDICOND recomenda que cada associação de síndicos e cada condomínio do estado de São Paulo estabeleça, ainda antes da próxima temporada de chuvas, os pactos de vizinhança e de mutualidade: conhecer os síndicos dos condomínios vizinhos, combinar protocolos de apoio mútuo em caso de destelhamentos, alagamentos e quedas de energia, e cadastrar junto à prefeitura os pontos oficiais de arrecadação e acolhimento da cidade. Quando o vento derrubar o telhado de um vizinho, o condomínio organizado é o que primeiro oferece abrigo, água, gerador e mão de obra — exatamente como aconteceu nas comunidades de Ribeirão Preto.
Conclusão: informação, ação e solidariedade
O El Niño 2026 não é uma hipótese — é uma realidade confirmada pelos órgãos federais e já em curso no estado de São Paulo. A boa notícia é que grande parte dos danos pode ser evitada ou minimizada por ações simples, sistemáticas e de baixo custo. A mensagem do SINDICOND é direta: não espere o temporal chegar para agir. Faça as vistorias, limpe a drenagem, treine as equipes, divulgue os alertas oficiais e fortaleça a rede de união entre os condomínios da sua região.
Como Ribeirão Preto mostrou, quando a prevenção falha, é a união que salva vidas e reconstrói comunidades. E quando a prevenção é feita, é a união que a multiplica.
O SINDICOND acompanhará diariamente as notas oficiais do INPE, do INMET, do CEMADEN e da Defesa Civil do Estado de São Paulo (defesacivil.sp.gov.br) e manterá os associados informados. Prevenir juntos é a nossa melhor defesa.
Alerta elaborado com base em fontes oficiais: Nota Técnica Conjunta INPE/INMET/Funceme/CENSIPAM sobre o El Niño 2026, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), Defesa Civil do Estado de São Paulo (CEDEC), Instituto Geológico de SP, Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e legislação federal (Lei nº 12.608/2012), além da cobertura jornalística oficial do temporal de Ribeirão Preto (24/07/2026).