Energia Solar no Condomínio
O Brasil encerrou 2024 com mais de 50 gigawatts de potência instalada em energia solar — um crescimento de 5.000% em menos de uma década. Esse número impressiona e esconde um paradoxo: apesar de toda essa expansão, a maioria dos condomínios residenciais brasileiros ainda não instalou painéis solares nas áreas comuns, e muitos síndicos ainda tratam o tema como pauta futura, não urgente. Esse adiamento tem um custo que cresce a cada ano de inércia.
A lógica financeira está se tornando cada vez mais difícil de ignorar. Um condomínio de médio porte que instala sistema fotovoltaico nas áreas comuns — cobertura, estacionamento, áreas de lazer — pode reduzir entre 30% e 60% do consumo de energia elétrica das partes comuns. Em condomínios onde a conta de luz das áreas comuns representa entre R$ 8 mil e R$ 25 mil mensais, essa economia é suficiente para pagar o investimento em quatro a cinco anos, com o sistema operando por mais 20 anos depois disso. Ao mesmo tempo, mais de 50 municípios brasileiros oferecem desconto de até 40% no IPTU para imóveis com energia solar instalada — benefício que a maioria dos condomínios simplesmente desconhece ou não reivindica.
O cenário regulatório de 2026 adicionou uma variável que o síndico precisa entender antes de tomar qualquer decisão. A Lei 14.300/2022, o Marco Legal da Geração Distribuída, estabeleceu uma cobrança progressiva sobre o uso da rede elétrica — o chamado Fio B — que incide sobre a energia injetada na rede pelos sistemas solares. Em 2026, essa cobrança está em 45% do valor integral; sobe para 60% em 2027, 75% em 2028 e chega a 90% em 2029. Isso significa que o condomínio que instalar o sistema agora vai operar com custo de rede menor do que o que instalar daqui a dois ou três anos. A janela de vantagem está aberta — mas ela está se fechando de forma programada e previsível.
O que segura a maioria dos condomínios não é a falta de viabilidade — é a falta de decisão. O processo exige assembleia para aprovação, cotação de pelo menos três fornecedores, análise técnica da capacidade elétrica do prédio e definição do modelo de rateio entre as unidades. Nenhuma dessas etapas é complexa, mas todas exigem que alguém tome a iniciativa de começar. O condomínio que colocar esse tema na pauta da próxima assembleia com dados concretos — consumo atual, estimativa de economia, tempo de retorno e impacto no IPTU — vai descobrir que a aprovação é muito mais fácil do que a inércia sugere.