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E quando o síndico não está? Condomínios precisam ter um plano para a gestão continuar funcionando

E quando o síndico não está? Condomínios precisam ter um plano para a gestão continuar funcionando

 Férias, viagens, afastamentos e imprevistos não interrompem pagamentos, emergências e responsabilidades do condomínio. Definir previamente quem pode agir evita decisões improvisadas.

Um vazamento de grandes proporções não espera o síndico voltar de viagem.

Uma queda de energia, um problema no elevador, uma emergência envolvendo funcionário ou a necessidade de autorizar um reparo também não.

Apesar disso, muitos condomínios funcionam com uma concentração excessiva de informações e decisões em uma única pessoa. O síndico conhece as empresas, possui contatos, acessa documentos, autoriza pagamentos e sabe como agir diante dos problemas. Quando ele se ausenta, surge a pergunta: quem decide agora?

A resposta deveria existir antes da emergência.

O condomínio não pode depender de uma pessoa

Boa gestão não significa que o síndico precisa estar disponível 24 horas por dia.

Significa que os processos devem continuar funcionando mesmo quando ele não está.

O primeiro documento a ser consultado é a Convenção do Condomínio. É nela que podem estar estabelecidas atribuições do subsíndico, conselho e outros integrantes da administração.

O Código Civil também permite que o síndico transfira total ou parcialmente poderes de representação ou funções administrativas, mediante aprovação da assembleia, salvo disposição contrária da Convenção.

Isso mostra por que simplesmente mandar uma mensagem dizendo “durante minha viagem, fulano resolve tudo” não é necessariamente a forma mais segura de organizar a administração.

A substituição e a delegação precisam respeitar as regras internas e os limites legais.

Subsíndico não significa autorização automática para tudo

Outro erro comum é imaginar que o subsíndico possui automaticamente todos os poderes do síndico.

As atribuições podem variar conforme a Convenção de cada condomínio.

Por isso, antes de uma ausência programada, vale revisar exatamente:

quem pode autorizar reparos emergenciais;

quem pode falar oficialmente em nome do condomínio;

quem possui acesso à administradora;

quem pode aprovar pagamentos;

quem deve ser comunicado em caso de acidente;

e quais situações exigem contato direto com o síndico.

Quanto menos improviso, menor o risco.

Um documento simples pode evitar muitos problemas

O condomínio pode manter um Plano de Continuidade da Gestão.

Não precisa ser um documento complexo.

Ele pode reunir os principais contatos e procedimentos necessários para manter a operação funcionando.

Entre eles:

Emergências prediais: elevador, bombas, portões, gás, elétrica e hidráulica.

Segurança: empresa de monitoramento, portaria e contatos responsáveis.

Funcionários: administradora, departamento pessoal e responsáveis pelas equipes terceirizadas.

Financeiro: procedimentos para pagamentos urgentes e limites de autorização.

Seguros: número da apólice, corretora e canal para abertura de sinistros.

Serviços públicos: concessionárias de água, energia e gás.

Responsáveis internos: síndico, substituto previsto na Convenção, conselho e administradora.

O objetivo é simples: ninguém deveria procurar desesperadamente o telefone da empresa do elevador enquanto uma ocorrência já está acontecendo.

Senhas não devem passar de celular em celular

Continuidade administrativa também não significa compartilhar indiscriminadamente senhas bancárias, aplicativos, e-mails e acessos pessoais.

O correto é organizar níveis próprios de acesso.

Quando possível, sistemas administrativos devem possuir usuários individuais e registros de quem realizou cada operação.

Além de melhorar a segurança, isso cria rastreabilidade.

Se três pessoas utilizam a mesma senha, depois será difícil saber quem autorizou determinado pagamento ou realizou determinada alteração.

Emergência resolvida? Registre o que aconteceu

Outro cuidado importante ocorre depois da ocorrência.

Uma intervenção emergencial realizada durante a ausência do síndico deve deixar documentação.

Orçamento, nota fiscal, fotografias, relatório do prestador, motivo da contratação e comunicação à administração devem ser preservados.

A gestão condominial não termina quando o problema técnico é resolvido. É preciso conseguir explicar posteriormente por que determinada decisão foi tomada.

O melhor plano é aquele que quase nunca precisa ser usado

Criar protocolos não significa esperar que algo dê errado.

Significa reconhecer que condomínios funcionam todos os dias do ano.

Síndicos adoecem, viajam, tiram férias, participam de compromissos profissionais e eventualmente ficam incomunicáveis.

Um condomínio organizado não transforma essas situações normais da vida em crises administrativas.

A maturidade da gestão aparece justamente quando a administração consegue continuar funcionando sem depender de improvisos.

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