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O que os condomínios do mundo ensinam ao Brasil

O que os condomínios do mundo ensinam ao Brasil

Categoria: Gestão / Tendências

O condomínio sempre foi tratado como um assunto local. Problema do vizinho do 4º andar, reunião de segunda-feira à noite, taxa de condomínio que subiu de novo. Mas 2026 mudou algo nessa conversa: morar bem virou uma questão estratégica internacional, e os países com maior densidade urbana estão reformulando do zero o que significa viver em coletivo.

Nos Estados Unidos, o setor multifamiliar entrou em modo de competição acirrada. Com a oferta de novos imóveis crescendo e as taxas de vacância subindo em várias metrópoles, reter moradores se tornou a rota mais direta para proteger a receita dos condomínios, já que perder um morador custa significativamente mais do que mantê-lo, considerando os dias de vacância, reformas e toda a estrutura de relocação. Isso forçou os gestores americanos a pensar em algo que parecia óbvio mas raramente era praticado: a experiência de quem mora ali. 

Na Espanha, o debate saiu da gestão e foi direto para a lei. Desde abril de 2025, a instalação de novas unidades de uso turístico em edifícios residenciais passou a depender do aval expresso das comunidades de vizinhos, uma mudança que deu voz real aos moradores sobre o tipo de vizinhança que querem ter. Mais de 65% dos espanhóis vivem em comunidades de proprietários, o que torna o tema condominial uma pauta de Estado, não apenas de administração predial. 

No Japão, o cenário é outro, mas igualmente urgente. O número de condomínios com mais de 40 anos chegou a 1,48 milhão de unidades em 2024 e deve ultrapassar 2,93 milhões na próxima década, criando uma crise silenciosa de manutenção e gestão de edifícios envelhecidos. A resposta japonesa foi legislativa: novas regras em vigor desde abril de 2026 facilitaram a aprovação de reformas e reconstruções, desbloqueando decisões que antes travavam por anos por falta de quórum.

Na Inglaterra, a discussão chegou ao Parlamento. Em janeiro de 2026, o governo britânico publicou um projeto de lei para substituir o sistema de arrendamento vitalício por um modelo de propriedade compartilhada mais transparente e democrático, colocando fim a uma estrutura considerada feudal por representantes e moradores. 

O Brasil não está distante desse movimento. Os condomínios paulistas já enfrentam as mesmas pressões: edifícios que envelhecem, gestão que precisa se profissionalizar e moradores que querem mais do que um apartamento. A diferença é que agora há referências concretas no mundo para orientar o caminho.

O que o Sindicond acompanha nessa discussão:

  • A valorização do papel do síndico como gestor profissional, não apenas como voluntário disponível
  • A necessidade de acordos trabalhistas atualizados para acompanhar a realidade dos novos serviços condominiais
  • O debate sobre legislação que proteja moradores sem engessar a administração

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